Por Leonardo Name
Prezados,Escrevo como ex-aluno de graduação da FAU e ex-mestrando e doutorando da UFRJ. Hoje, sou professor do Departamento de Geografia da PUC.
O que estou fazendo aqui se não sou professor da casa "que quer aumento de salário", trabalho no ensino privado e nem sou aluno "que só é prejudicado e não vê a melhoria do ensino"?
Porque, para além de ter amigos queridos que são professores da casa, como Cláudio Ribeiro, Luciana Andrade, Paulo Afonso Rheingantz e Vera Tângari, ou amigas como a Luciana Alem Gennari e a Ana Paula Medeiros que estão no doutorado, por exemplo, valorizo a educação pública de qualidade porque sempre estudei nela, desde o primeiro grau; porque sou pesquisador de movimentos sociais e da Internet e, por isso, me interessei de primeira com o Ocupância Ufrj (e me emocionei de ver jovens da FAU se interessando apaixonadamente por política e por grandes causa, jovens diferentes do que eu era e todo o resto de minha geração hoje com trinta e poucos anos, TOTALMENTE alienada, cujo maior tema de debate na época da unviersidade era sobre o campeonato de futebol); e, se eu só quisesse olhar numa perspectiva "umbigation", porque sei que salários ruins na federal afetam o meu salário que é mais baixo ainda na particular (e olha que trabalho na melhor particular do Rio e a única que paga "bem" e em dia).
Acompanhei o Ocupância desde o início, fui a algumas manifestações, entrevistei alguns membros-foco. Vi jovens inteligentes, que são parte de um grupo maior de estudantes que mudaram sem perceber os rumos da greve, que entenderam que o professor "era meu amigo, mexeu com ele, mexeu comigo", que enxergaram que os problemas de um curso NÃO se restringem só a uma suposta má formação para o mercado de trabalho, mas também a infraestrutura física e a discussão política sobre pra que serve uma universidade e, no nosso caso, para que serve um arquiteto para além do péssimo papel de fomentador da especulação imobiliária e da gentrificação.
Tive muitas dúvidas durante a greve. Mas antes de acreditar no que diziam os jornais e o governo, me informei AQUI e por meus amigos. Participei indiretamente de cada assembleia como se fosse minha, porque sabia que esta greve era diferente de todas as outras federais - até mesmo por conta da adesão do suposto principal prejudicado, o corpo de estudantes. Fiquei apreensivo com o dia de ontem e um pouco triste de ver que a UFRJ tinha sido a única a ceder. Mas ao invés de culpar esse ou aquele grupo, fui me informar - aqui e com os amigos. E compreendi os limites, os ganhos restritos e o controle das perdas.
Mas mais triste é ver o que está acontecendo aqui desde ontem à noite. Não se ganhou nada? Teve-se uma greve em que até a Rede Globo, ainda que compreendendo limitadamente a questão, por vezes disse que os professores tinham razão e não se teve nada? Viu-se estudantes alcançando conquistas com uma greve estudantil (que para muitos não fazia sentido) e não se ganhou nada? Deu-se um sentido público, popular e cultural a um Canecão conseguido após luta de anos da UFRJ para se tê-lo e não se conseguiu nada? Desvelou-se um governo autoritário, e não se conseguiu nada? CRIOU-SE UM AMBIENTE POLÍTICO DE TROCA E INTERCÂMBIO ENTRE ALUNOS E PROFESSORES E ENTRE CAMPI e não se conseguiu nada?
Nunca fez tanto sentido a mais criativa palavra de ordem da mais criativa das greves: STOP THE UMBIGATION. Permitam-me, por favor, pedir para que parem olhar para perdas individuais e umbigais e ajam de acordo com o espírito dessa greve, que, tudo indica, é um momento raro, único e histórico. Não desagreguem, pois o fim da greve não é o fim da política.Fiquei triste, indignado, com vergonha com o que li aqui, e por ter certeza que estou mais informado do que muitos "indignados", mesmo não sendo da fau ou da ufrj. . E embora tenham vindo as respostas esclarecedoras do Claudio e do Luiz Felipe Cunha, precisava me manifestar.
Peço desculpas pela interferência, mas essa greve também é minha. Lutar pela educação e por uma ampliação da ação política na universidade é oque faço todos os dias ao acordar e ir à labuta.
Abraço a todos e todas.
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